Audiência publica no Rio discute o destino do prédio do Dops

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Gizele Martins

Foi realizada na manhã de terça-feira, dia 19 de agosto, a Audiência Pública sobre a nova destinação do Prédio do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A proposta da audiência feita pela Comissão da Verdade e pela Comissão de Direitos Humanos da Alerj é a de reivindicar o prédio como patrimônio da história política do Rio em defesa dos Direitos Humanos, além do resgate histórico sobre o tempo da Ditadura Militar no país.

Para Ana Miranda, uma das integrantes do movimento ‘Ocupa Dops’, e que na época da ditadura ficou presa neste prédio por 9 meses, falou sobre a importância de se preservar o espaço. “Ano passado lançamos a campanha: ‘Ocupar a memória para não esquecer a nossa história’. É preciso transformar o prédio, ele deve ser voltado para políticas de direitos humanos, projetos, documentações. Os movimentos sociais e a sociedade civil devem ser atores principais. Eles são fundamentais na construção deste espaço. O Estado brasileiro tem essa dívida com a população. Queremos a imediata transformação dele em um espaço de resistência e em lutas sociais. Isto vai ajudar a fortalecer a cidadania e revigorar a democracia”, disse.

Audiência realizada na  na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
Audiência realizada na na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro / Foto Gizele Martins

Durante a audiência foi apresentado um projeto do que será o prédio se for destinado aos movimentos sociais e à Comissão da Verdade do Rio. A apresentação foi feito por Fenanda Pradal, ela é representante do Grupo de Trabalho Dops e da Comissão Estadual da Verdade. Fernanda mostrou o projeto ‘Espaço de Memória do Rio de Janeiro’, que prevê quatro divisões de funcionamento do local: Memória e Conhecimento; Direitos Humanos; Gestão Participativa e Integração Comunitária. “Queremos que nele funcione uma biblioteca, que tenha um auditório, um espaço para exposição permanente sobre os tempos da ditadura, uma sala de estudos, um restaurante, dentre diversas outras funcionalidades voltadas para a pauta dos movimentos sociais e direitos humanos”, disse.

Para a realização do projeto apresentado pela Comissão da Verdade do Rio, algumas visitas técnicas para vistoriar as instalações do prédio foram feitas. Nestas visitas, relataram que muitos dos documentos estão em estado muito ruim. Insetos e mofos ameaçam o acervo. “As celas ainda são preservadas, a acústica para não ouvir as torturas ainda existem. Os documentos que se encontram lá não têm registros e estão no chão” concluiu Fernanda.

De acordo com o assessor institucional Gilbert Stivanello, que foi à audiência representando a Polícia Civil, afirmou que eles não têm compromisso com erros do passado e que o prédio deve ser destinado à memória da polícia civil. “Envergonhamos-nos de ter funcionado ali o Dops, isto é uma página que nos envergonha, não queremos que isto nunca mais se repita em nosso país. Mas queremos que ali não seja só resgatada a história de duas décadas que funcionou o Dops, mas que seja resgatada a memória de toda a polícia civil. Queremos um museu, livraria, que tenha uma sala ampla de visitação, exposições etc. Se a Alemanha preserva campo de concentração, não deve ser diferente na nossa história. Queremos expor essa história para que a vigilância seja feita, precisamos preservar a memória. Não queremos que a polícia civil seja estigmatizada por este período. Nós temos 104 anos de história para contar”, finalizou Gilbert.

Depois de falas, os encaminhamentos foram feitos por parte da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, são eles: Tombamento definitivo do prédio do Dops e discutir em nova audiência o destino do prédio. Esta nova audiência vai ser realizada em novembro com o novo representante do governo do Rio.

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