Centenário de Carolina Maria de Jesus

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PERFIL: Carolina Maria de Jesus

No mês de março é centenário de nascimento de uma das mais importantes e guerreiras mulheres da literatura brasileira: Carolina Maria de Jesus que nasceu em 14 de março de 1914.

Foto por http://www.latinamericanstudies.org
Foto por http://www.latinamericanstudies.org

A história de Carolina Maria de Jesus é uma história de lutas que lembra a de muitas mulheres na favela. Filha de mãe solteira, negra e pobre, trabalhou na roça em Sacramento, cidade onde nasceu, no interior de Minas Gerais. A vida difícil obrigou mãe e filha a migrarem para cidades maiores até que Carolina chegou a cidade de São Paulo. Ali, Carolina começou trabalhando como doméstica, mas com a gravidez do primeiro filho e a ausência de direitos trabalhistas, ficou desempregada e não viu alternativa senão ir morar na favela e ganhar a vida como catadora de papel. Teve ainda mais dois filhos, todos de pais diferentes, e foi mãe e pai do José, do João e da Vera Eunice. Viveu 12 anos na favela do Canindé, que chamava de “o quarto de despejo da cidade de São Paulo” para onde ia tudo o que a sociedade paulistana queria jogar no lixo: roupas usadas, móveis velhos e pessoas pobres, negras, nordestinas que ali viviam marginalizadas e em precárias condições de vida. Carolina, que havia cursado apenas 2 anos de ensino básico quando criança em Sacramento, tinha o hábito de ler. Lia tudo o que encontrava no lixo e separava os papéis em que poderia escrever para contar sua história. Foi assim que começou a escrever “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, publicado em 1960. Seus escritos foram descobertos pelo jornalista Audálio Dantas em 1958, que fazia uma visita à favela do Canindé para escrever uma matéria do jornal. Ao conhecê-lo, Carolina mostrou a ele seus escritos. Durante dois anos o jornalista trabalhou para conseguir a publicação do livro de Carolina. “Quarto de Despejo” foi um sucesso e uma denúncia que os governantes e a elite, não só a paulistana mas a brasileira, não podia ignorar. A prefeitura extinguiu a favela do Canindé. Carolina ficou rica com a venda de seus livros, mas sem jeito para administrar seus bens, perdeu quase tudo e morreu em 1977, pobre, num pequeno sítio no interior de São Paulo. Canindé não existe mais, nem Carolina, mas muitas são as favelas no Brasil e muitas são as mulheres pobres, sem pai, mães solteiras, que batalham lutam diariamente pelo direito à vida.

Lembramos que a escritora Carolina é objeto de estudo na Roda de Leitura que acontece no Museu da Maré:

Leia aqui http://jornalocidadao.net/?p=374

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