Cuidados contra o coronavírus nas favelas: Fiocruz tira dúvidas de moradores

Geral, Notícias, Saúde

Por Carolina Vaz

O possível contágio acelerado de coronavírus nas favelas tem sido uma das maiores preocupações de seus moradores, em virtude de fatos como a proximidade das casas, acesso irregular a água corrente limpa, e  os casos de várias pessoas morando na mesma casa. Por isso, a Fiocruz organizou uma live (transmissão ao vivo) com pesquisadores tirando dúvidas de internautas, a respeito dos cuidados possíveis na favela.

A Coletiva para Comunicadores Comunitários foi realizada no dia 26 de março, e contou com a apresentação de Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, e, respondendo às perguntas, Dr. Rivaldo Venâncio, Coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, e Dr. André Siqueira, infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas. A mediadora foi Marcia Correa e Castro. Antes do início da live, a presidente da Fiocruz demarcou a importância de se abordar as favelas, quando a maior recomendação é de isolamento social: “Aqui, além de ser um país de tamanho continental, nós temos a marca da desigualdade social, e em grandes metrópoles existem as áreas onde se combina desigualdade social com grande concentração de pessoas”.

A live completa pode ser conferida aqui, mas nesta matéria estão sintetizadas algumas das principais recomendações comunicadas na live.

CONTÁGIO

– O vírus passa pela relação sexual, através do beijo apenas.

– Depois que uma pessoa contrai o coronavírus, este passa por um “período de incubação”, que é o tempo que leva até a pessoa apresentar sintomas. São, em média, 5 dias, mas podem chegar a 14. Nesse tempo e durante os sintomas, a pessoa infectada pode transmitir o vírus. Depois de 3 dias do fim dos sintomas a transmissão começa a reduzir, até parar.

– Animais de estimação não pegam o vírus, mas podem carregá-lo no pelo e levar para dentro das residências. É importante sempre lavar as mãos após tocar o animal.

CUIDADOS

– Pessoas que estão fazendo ações de doação de alimentos e outros produtos devem se proteger: evitar formar aglomerações, tanto de voluntários quanto dos beneficiados, utilizar sempre álcool em gel e, se possível, máscara. Os produtos embalados em plástico levados para casa podem ser higienizados com água e sabão. Embora o uso da máscara por pessoas saudáveis, em geral, não seja recomendado, nesta ação de contato com muitos objetos e pessoas a máscara pode ser importante.

– O álcool líquido e o álcool em gel têm o mesmo efeito, porém o álcool líquido é inflamável, o que pede maior cuidado no manuseio.

– Numa casa com várias pessoas, havendo alguém com sintomas, o ideal é que esta não tenha contato com as demais, e nem compartilhe objetos. Quem está aparentemente doente pode usar máscara e todos devem higienizar as mãos com frequência.

– Os motoristas de van devem tentar fazer viagens com menos pessoas, e moto-taxistas devem sempre usar álcool em gel, e evitar tocar o rosto.

– Uma pessoa que apresente gripe, febre, indisposição e tosse seca há mais de 4 dias pode já estar doente, e deve procurar uma unidade de saúde. Não esperar o limite da capacidade física para procurar atendimento.

 GRUPOS DE RISCO

– Pessoas que têm ou já tiveram doenças pulmonares – como tuberculose – estão no grupo de risco, portanto devem tomar mais cuidado.

– Uma gestante que comece a apresentar sintomas deve procurar uma unidade de saúde imediatamente, e deverá ser monitorada nos próximos 14 dias.

MITOS E FATOS

– Não adianta confeccionar máscaras com pano do tipo perfex, porque ele tem furos maiores do que a máscara normal, portanto podem passar gotículas de saliva infectadas.

– Não há certeza sobre o vírus ser transmitido pelo vento. A principal forma é pelo contato de saliva infectada (nas gotículas que saem na fala, por exemplo) com as mucosas (boca, nariz e olhos) de uma pessoa saudável.

OUTRAS INFORMAÇÕES

– Os hospitais não têm capacidade de atender todos que chegam, com sintomas mais leves ou mais graves, portanto o ideal é que, havendo qualquer sintoma respiratório, a pessoa comunique no número 160, que é uma central da prefeitura voltada ao enfrentamento do Covid, e é uma ligação gratuita. Também é possível que uma pessoa saudável comunique ao serviço de saúde do bairro a existência de alguém sintomático na residência.

– Estamos passando por um problema de “subnotificação” dos casos de coronavírus. Significa que o número de infectados é maior do que os números que estão sendo divulgados, e isso acontece porque os kits de diagnósticos estão escassos no país. Muitas pessoas, apesar de apresentarem os sintomas, não são testadas para o coronavírus, pela falta do kit. O que está sendo feito é testar apenas os casos graves, com febre e dificuldade de respirar. Segundo os pesquisadores da coletiva, nas próximas semanas a produção do kit vai acelerar, e será feita a distribuição democrática. As pessoas que não foram testadas e continuam a ter os sintomas devem circular o mínimo possível.

– A vacina contra a gripe, que está sendo aplicada agora, não deve ser tomada por quem possui os sintomas de coronavírus, somente por pessoas saudáveis. Tomar a vacina é importante porque, quanto menos pessoas estiverem doentes – seja de gripe ou qualquer outra doença – mais o serviço de saúde vai poder tratar os casos de corona e conter o avanço da doença.

 

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