Debate: O que esperar da UPP?

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Debate sobre UPP
Debate sobre UPP

Por Gizele Martins

O bate papo sobre os 5 anos Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) ocorreu no sábado, dia 30, às 10h, no Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (Ceasm). A conversa que durou mais de três horas contou com a participação do Repper Fiell, morador do Santa Marta e de Mauricio Campos, da Rede de Familiares Contra a Violência.

Fiell lembrou do encarecimento do território quando há a entrada da UPP nas favelas. “Nós somos obrigados a ter que se retirar das nossas casas porque não temos mais condições de pagar um aluguel tão alto. Não há um investimento no saneamento básico ou em qualquer outra demanda da favela, mas há o encarecimento dela fazendo com que a gente procure outros locais mais baratos para morar. É conta de luz cara, aluguel, tudo fica mais caro”, disse.

Mauricio fez um histórico sobre a criminalização da pobreza no Rio de Janeiro. Falou também sobre o encarecimento do terreno e desta política feita para afastar pobre dos grandes centros urbanos. Alunos do Curso Pré-Vestibular do Ceasm e do II Curso de Comunicação Comunitária do O Cidadão fizeram várias intervenções e falaram sobre o momento atual da Maré que tem sido “preparada” para a entrada da UPP. Algumas das reclamações que mais apareceram foi sobre as escolas que sempre ficam fechadas quando há operações feitas em horário escolar, deixando moradores e crianças no meio do tiroteio.

Confira outras fotos do debate no facebook do O Cidadão: http://migre.me/gR2By

Comentários

9 comments

  • Com relação a participação do cidadão, morador da Maré e atuação do Poder publico no Local.Tendo em vistas o comentário do RAP,FIEL. Reinaldo Cunha da Maré na TV, falou que o serviço público se faz presente não só pela policia ou provavel UPP. Na Maré podemos identificar as ações do poder publico descentralizada através da XXX RA, escolas, postos de saúde, além dos serviços de telefonia, coleta de Lixo, agua e esgoto. Muitos moradores pagam conta de Luz, IPTU ETC… Na pratica podemos perceber a presença do serviço publico. O que ocorre é a falta da participação popular nas decisões do executivo. A pratica reinante da Administração não contempla os interesses da população, e sim dos politicos que usam a Maré para compra de votos.

  • Publicado em 3 de dez de 2013
    PODER POPULAR E AS UPPS NO COMPLEXO DA MARÉ?

    O Jornal O Cidadão realizou sábado, 30/11/13, no CEASM, debate com os convidados RAPPER FIELL e MAURICIO CAMPOS, que debateram a situação de violência que são submetidos os moradores do Complexo da Maré nas abordagens da polícia, frente à guerra: “policia X poder paralelo”. Nos últimos episódios conhecidos por todos moradores, sobre constantes extermínios de negros, pobres e favelados, O CAVEIRÃO é usado por forças ocultas da Policia para minerar os traficantes. Aqui ali a policia lança nota dizendo que não são os policiais do Batalhão da Maré que trocaram tiro nas investidas constantes nas 16 comunidades da Maré. Segundo o que noticiou a imprensa, a Maré terá quatro UPPS, tendo em vistas a dimensão geográfica que compõe a área de planejamento da XXX RA.

    Para alguns moradores, a UPP, vem para dar sensação de segurança aos turistas que vem para os jogos da COPA em 2014 e das Olimpíadas em 2016, além de ser o carro chefe do marketing institucional do governador Sergio Cabral, que anunciou que deixara o governo em março de 2014, concorrendo a uma vaga para o Senado Federal em outubro próximo. Vai mudar alguma coisa com a UPP na Maré, em termos de qualidade de vida e segurança para os moradores da Maré? Respondendo essas perguntas, Gizele Martins, jornalista do Jornal O Cidadão abriu o debate questionado a ocupação militar que estar por vir e qual devera ser o comportamento dos moradores e lideranças comunitárias a esse novo desafio? Em seguida passou a palavra para o Rapper Fiell, que falou da sua experiência na comunidade ocupada. Para Fiell, nada mudou para os moradores da Comunidade da Santa Marta: “aqui na Maré o que vocês querem? Não é a policia que tem que falar para os moradores o que é bom para os moradores e sim a comunidade. Na minha comunidade muitos moradores venderam seus imóveis por valor irrisório em face à especulação da ocupação da UPP. “Nós somos obrigados a ter que se retirar das nossas casas porque não temos mais condições de pagar um aluguel tão alto.

    Não há um investimento no saneamento básico ou em qualquer outra demanda da favela, mas há o encarecimento dela fazendo com que a gente procure outros locais mais baratos para morar vendendo o imóvel. Com a entrada da UPP, a conta de luz fica muito cara, o aluguel residencial dobra de preço, fica tudo mais caro”, disse. Reinaldo Cunha do programa Maré na TV questionou o argumento da ausência do poder publico na Maré. Para Reinaldo: ” a Maré possui escolas da Rede Municipal, Estadual, Creches, Postos de Saúde, além da coleta do Lixo por parte da COMLURB, as residências possuem energia elétrica, água e a maioria das ruas têm esgoto. Ao entorno da Maré tem vários cursos pré-vestibulares em parceria com universidades publicas e privadas como é o caso da UFRJ e a PUC. Dispõe de uma prefeitura local como a XXX RA, que infelizmente atende aos interesses fisiológicos e eleitoreiros de ocasião. Não se pode falar que a administração publica esta ausente na Maré, o que estamos vendo é a falta de dialogo com a comunidade.

    A UPP, que estar por vir var valorizar os imóveis ao sabor da especulação imobiliária e servira para troca de voto com apelo social, disse. Para Mauricio, “a criminalização da pobreza não é por acaso.

  • Publicado em 7 de dez de 2013
    ESTADO DE DIREITO OU TERRITÓRIO DE EXCEÇÃO?
    REGULAÇÃO DAS FAVELAS APÓS UPP. Em, 05/12/13
    O Observatório de Favelas da Maré, com apoio da REDES de Desenvolvimento da Maré, da ESPOCC — Escola Popular de Comunicação Crítica e parceria com HEINRICH BOLL STIFTUNO, realizaram no dia 05/12/13, das 9 às 19:00h, no Galpão Bela Maré, Centro de Artes da Maré, Rua Bittencourt Sampaio, 181, Nova Holanda, o Seminário: “A Regulação das Favelas após a Unidade de Política Pacificadora Estado de Direito ou Território de Exceção”? Foram convidadas diversas personalidades, representantes de (ONGs), sociedade civil organizada, além de autoridades, representantes do governo do Estado e da Prefeitura do Município do Rio. O destaque ficou por conta da presença do Vice Prefeito e Secretário de Desenvolvimento Social, Adilson Pires e o Coronel Comandante da Coordenadoria da Polícia Pacificadora Itamar Silva. Falar do futuro em um momento de transição política com eleições para governo do estado em outubro de 2014, é coisa de visionário.

    A previsão da Ocupação Maré, quatro (UPPs) Unidade de Policia Pacificadora, esta prevista para março de 2014, ou em Abril, já sobre o governo de Luiz Fernando Pezão. Segundo o que noticiou grandes veículos de comunicação, o Governador Sergio Cabral deve renunciar o governo para fortalecer a candidatura do seu Vice- Luiz Pezão, que naufraga nas intenções de votos em ultimo lugar. Seus marqueteiros pretendem inundar os grandes veículos de comunicação, com dinheiro publico, dos contribuintes e do caixa 2 da campanha, para convencer a população do êxito do governo “somando forças”. O tema proposto para o seminário foi prejudicado, já que os especialistas convidados não discorreram sobre o planejamento urbano, da “Regulação das favelas pós UPP ou Território de Exceção”.

    O tema proposto distanciou os participantes dos reais objetivos que era falar dos aspectos geográficos e da intervenção urbana por parte do poder publico. A Maré carece de um Planejamento Urbano, embora tenha a sua delimitação publicizada com a criação da XXXRA. Deveria observatório ter convidado o Administrador Regional da Maré para falar sobre os aspectos urbanos, a descentralização administrativa e orçamentária e a participação dos órgãos locais, o que não ocorreu. O clientelismo político da maquina do PMDB, não prevê a participação da sociedade na discussão dos interesses da cidade, prevalecendo o compadrio da velha política da Bica d’água e o assistencialismo. Essa pratica abominável, reprovada pela sociedade, se amparam na “ideologia fascista”, da supremacia da cor, podendo os adeptos; “praticar o extermínio de pobres, índios, negros e favelados, sobre o manto de “combate as drogas”.

    A ocupação na Maré não será mera ficção, mas o domínio de um território a serviço de uma “propaganda política”, cuja a sigla deveria chamar: (UPP) “Unidade de Polícia Política”. Vale tudo: “revistar, prender, matar, extorquir e aniquilar desafetos políticos, em nome do interesse individual em supremacia do interesse coletivo, a serviço do enriquecimento ilícito. Será que o próximo governador eleito vai continuar com as UPPs? A legalização das drogas tem impacto nas prisões, assassinatos e extermínio de pobres e desafetos? A política das UPPs, vai até 2016 com o sem Cabral? O futuro dirá se a “republica dos guardanapos” continuará no poder até outubro de 2014. Vamos ver para crer?

    Texto: Reinaldo Jesus Cunha

  • Publicado em 7 de dez de 2013
    ESTADO DE DIREITO OU TERRITÓRIO DE EXCEÇÃO?
    REGULAÇÃO DAS FAVELAS APÓS UPP. Em, 05/12/13
    O Observatório de Favelas da Maré, com apoio da REDES de Desenvolvimento da Maré, da ESPOCC — Escola Popular de Comunicação Crítica e parceria com HEINRICH BOLL STIFTUNO, realizaram no dia 05/12/13, das 9 às 19:00h, no Galpão Bela Maré, Centro de Artes da Maré, Rua Bittencourt Sampaio, 181, Nova Holanda, o Seminário: “A Regulação das Favelas após a Unidade de Política Pacificadora Estado de Direito ou Território de Exceção”? Foram convidadas diversas personalidades, representantes de (ONGs), sociedade civil organizada, além de autoridades, representantes do governo do Estado e da Prefeitura do Município do Rio. O destaque ficou por conta da presença do Vice Prefeito e Secretário de Desenvolvimento Social, Adilson Pires e o Coronel Comandante da Coordenadoria da Polícia Pacificadora Itamar Silva. Falar do futuro em um momento de transição política com eleições para governo do estado em outubro de 2014, é coisa de visionário.

    A previsão da Ocupação Maré, quatro (UPPs) Unidade de Policia Pacificadora, esta prevista para março de 2014, ou em Abril, já sobre o governo de Luiz Fernando Pezão. Segundo o que noticiou grandes veículos de comunicação, o Governador Sergio Cabral deve renunciar o governo para fortalecer a candidatura do seu Vice- Luiz Pezão, que naufraga nas intenções de votos em ultimo lugar. Seus marqueteiros pretendem inundar os grandes veículos de comunicação, com dinheiro publico, dos contribuintes e do caixa 2 da campanha, para convencer a população do êxito do governo “somando forças”. O tema proposto para o seminário foi prejudicado, já que os especialistas convidados não discorreram sobre o planejamento urbano, da “Regulação das favelas pós UPP ou Território de Exceção”.

    O tema proposto distanciou os participantes dos reais objetivos que era falar dos aspectos geográficos e da intervenção urbana por parte do poder publico. A Maré carece de um Planejamento Urbano, embora tenha a sua delimitação publicizada com a criação da XXXRA. Deveria observatório ter convidado o Administrador Regional da Maré para falar sobre os aspectos urbanos, a descentralização administrativa e orçamentária e a participação dos órgãos locais, o que não ocorreu. O clientelismo político da maquina do PMDB, não prevê a participação da sociedade na discussão dos interesses da cidade, prevalecendo o compadrio da velha política da Bica d’água e o assistencialismo. Essa pratica abominável, reprovada pela sociedade, se amparam na “ideologia fascista”, da supremacia da cor, podendo os adeptos; “praticar o extermínio de pobres, índios, negros e favelados, sobre o manto de “combate as drogas”.

    A ocupação na Maré não será mera ficção, mas o domínio de um território a serviço de uma “propaganda política”, cuja a sigla deveria chamar: (UPP) “Unidade de Polícia Política”. Vale tudo: “revistar, prender, matar, extorquir e aniquilar desafetos políticos, em nome do interesse individual em supremacia do interesse coletivo, a serviço do enriquecimento ilícito. Será que o próximo governador eleito vai continuar com as UPPs? A legalização das drogas tem impacto nas prisões, assassinatos e extermínio de pobres e desafetos? A política das UPPs, vai até 2016 com o sem Cabral? O futuro dirá se a “republica dos guardanapos” continuará no poder até outubro de 2014. Vamos ver para crer?

    Texto: Reinaldo Jeshttps://www.youtube.com/watch?v=ARWwxZ7qPS0us Cunha

  • CHARME EM ZONA DE GUERRA DA MARÉ
    QUARTZOLIT – Dia 20/07/2015
    Em um Segundo Evento do “Charme em Zona de Guerra da Maré”, realizado no dia 20/07/15, na Rua: Capitão Carlos 260, em comemoração ao Cozido da Baiana. Os Djs, Rony, Leley e Manuel, com apoio do Mago, Fundador do Bloco Carnavalesco a Magia do Samba, tocaram músicas de sucesso do Charme internacional, brasileiro, além de musicas de “black music e flashback”.
    Foram varias seqüências musicais tocada na rua, ao lado do QG do Exercito, que hoje ocupa o Prédio da Quartzolit, no mesmo endereço no n. 260.
    Mesmo sem autorização para a realização do som, as musicas foram tocadas para a alegria da galera. Em certo momento da apresentação do Charme que dispensava convidados. Um tenente se aproximou e questionou o som alto e possível aglomeração, o que poderia prejudicar o trabalho da guarnição. “Já tivemos incidente com eventos realizados na rua e não queremos que isso aconteça aqui. Além do som que esta bastante alta prejudicando nossa comunicação”, discorreu.
    Prontamente os DJs e o Mago, da Oficina, resolveram baixar o som e informar ao militar que não se tratava de festa publica, mas familiar e que não haveria aglomeração, e que a solicitação de baixar o som seria prontamente atendida. “Fique tranqüilo disse o Mago, se houver depredação e baderna. Pode levar- me preso junto com os equipamentos”, brincou.
    O som e o Cozido da Baiana, “Ia de Vento em Popa”, em meio ao desfile de tropas, e o cozido da Baiana. Lá pelas 22: h00, o som foi perdendo a sonoridade em respeito à Lei do Silêncio e a Panela vazia do Cozido da Baiana. “Comeram tudo, não sobrou nada”, disse um retardatário.
    Os articulistas da festa ficaram satisfeitos com o segundo evento, realizado em “Zona de Guerra”. E já falavam na realização de um próximo evento em comemoração aos festejos da festa Junina. Os Convidados da Baiana estampavam sorrisos no rosto e faziam cobranças? “Quando é o próximo, não se esqueçam de me convidar. Dancei até na rua”, filosofou um participante da velha guarda chamado Jorge.
    O evento feito de improviso sem articulação previa, permitiu discurso ao vivo sobre analise de conjuntura política do momento atual. Uma das falas de Reinaldo Cunha abordou o momento complexo que vive os moradores da Maré, em momento de guerra. “A luta que se trava aqui é uma ocupação de território.
    No primeiro momento o Exercito Brasileiro demarcou e ocupou território. Em segundo momento vem a policia fazendo “varredura”. E por ultimo, as administrações de instância municipal e estadual. Já visualizamos a presença da Comlurb na coleta do Lixo, e outros ações capitaneadas pelo exercito na retirada de documentos, corte de cabelo, separação, divórcio, alistamento militar e outros serviços.
    Mas porque o interesse na prestação de serviço a comunidade pelo exercito? Teria o mesmo objetivo da aproximação com a comunidade? O exercito não é visto como um executor de políticas públicas, então porque distribuir panfletos para trazer melhorias conceituais para a Maré. E depois da saída do exercito quem ocupará o vácuo de deixado?
    Segundo Aristóteles, o homem é um animal gregário e que vive em sociedade. Na Maré residem mais de 140 mil pessoas. “Isso faz com que a sociedade preceda o indivíduo, logo é natural para nós o convívio com a sociedade, fazendo com que aqueles que não se encaixam ao convívio em comunidade serem considerados pelo filósofo como um “bruto” ou como um “deus”, comparações extremas e em dois pontos distintos da condição do ser humano, no qual como um “bruto” se colocaria como os animais selvagens assim como um “deus” se colocaria como algo superior aos demais meros mortais”.
    A Maré não esta dissociada da cidade e as ações políticas de governo. Aliás, ela esta em um ponto estratégico no Rio, onde margeia a Av. Brasil, Linha e Vermelha que dar acesso ao Aeroporto Internacional. Em 2016 o Rio estará realizando os Jogos Olímpicos, o que implica em gastos com segurança. Compreender a isso faz entender melhor a segunda afirmação do homem ser um animal político, que é a de que ele está “destinado a viver em sociedade”. Logo, “o homem é um animal político, destinado a viver em sociedade”.
    Muita gente duvida da eficácia do governo em suas ações pontuais na Maré. A cada Eleição o governo promete mais segurança para a cidade. A Maré não esta longe de da política que se apresenta em tempos em tempos.
    Ontem eleições para governo e amanha para a prefeitura. O tema segurança tem grande apelo eleitoral. Como vimos: as ocupações nas favelas por forças policiais, obedecem a um calendário eleitoral e as UPPs, se transformaram em carros chefes de Marketing Institucional.
    Todo Estado originou-se a partir da guerra e suas instituições políticas e jurídicas atuam como mantenedoras da conquista originária. A paz instituída pela sociedade é, na realidade, a paz do vencedor. “A guerra permanece em cada ato político, sendo a política a continuação da guerra por outros meios”, como afirmou Carl Von Clausewtz.
    Por meio dessa análise, podemos situar-nos nessa guerra que permanece e que nos atinge, bem como, podemos compreender melhor os desdobramentos do discurso de guerra que se apresentaram no nazismo, no comunismo e no biopoder.
    Segundo Marcus Vinicius, em seu Livro a Soberania e a Guerra: “Foi a guerra que presidiu ao nascimento dos Estados: mas não a guerra ideal – a imaginada pelos filósofos do estado natural – mas guerras reais e batalhas efetivas. As leis nasceram em meio a expedições, a conquistas e a cidades incendiadas; mas a guerra continua também a causar estragos no interior dos mecanismos do poder, ou pelo menos as constituir o motor secreto das instituições, das leis e da ordem”.
    Nesse sentido, podemos afirmar que a Maré vive em estado de guerra. “E é só através da guerra que a biopolítica surge como desenvolvimento da soberania, mas um desenvolvimento que abandona a soberania: “A velha potência da morte em que se simbolizava o poder soberano é agora, cuidadosamente, recoberta pela administração dos corpos e pela gestão da vida”. “O discurso histórico-político é desse modo, aquele que precisa ser lembrado, estudado, reativado, para se entender melhor as relações políticas contemporâneas. O nazismo, o socialismo, a biopolítica originam-se das disputas travadas entre os discursos filosófico-jurídico e histórico-político. A vitória do primeiro escondeu o próprio fato de ter existido essa batalha discursiva, escondeu a guerra que permaneceu no interior da sociedade e camuflou as lutas de raça, grupos e classes que continuam acontecendo como algo relativo meramente do âmbito da soberania. “É preciso defender a sociedade, é preciso retomar o discurso da guerra para sabermos em que perspectiva, em que lugar estamos na guerra que é a sociedade instituída”.
    Marcus Vinicius sustenta: “Desse modo, nas análises empreendidas no curso Em defesa da sociedade, Foucault abandona o discurso da soberania em favor de uma abordagem do poder e de suas relações que parta do fato da dominação. Essa abordagem, que privilegia a dominação, seria o caminho do discurso de guerra, pois seria esse discurso que fala a realidade da constituição real do Estado e de suas relações de poder. Junto com essa análise do discurso de guerra, há também a necessidade de se considerar os mecanismos de poder que estão funcionando por baixo do edifício jurídico da soberania, e que constituem múltiplos sujeitos de múltiplas relações de poder. Esses mecanismos são chamados, por ele, de poder disciplinar”.

    Pierre de Clastes argumenta que as comunidades primitivas são sociedades contra o estado e sem estado. Não podemos dizer que a Maré não tem o estado presente, já que dispõe de serviços de saúde, escolas, coleta de lixo e até uma prefeitura local. Mas, embora dispondo de serviços considerados por muitos precários, a sensação da cidade é que o estado abandonou as favelas deixando outro poder se instalar. “Todos os povos policiados foram selvagens”, escreve Raynal.
    Por conseguinte: “se as sociedades primitivas repousam numa economia de subsistência, não é por lhes faltar uma habilidade técnica. A verdadeira pergunta que se deve formular é a seguinte: a economia dessas sociedades é realmente uma economia de subsistência? Precisando o sentido das expressões: se por economia de subsistência não nos contentamos em entender economia sem mercado e sem excedentes – o que seria um simples truísmo, o puro registro da diferença – então com efeito se afirma que esse tipo de economia permite à sociedade que ele funda tão somente subsistir; afirma-se que essa sociedade mobiliza permanentemente a totalidade de suas forças produtivas para fornecer a seus membros o mínimo necessário à subsistência”.
    Por fim: a Maré esta em transição de sua ocupação pelo exercito que termina agora no dia 30 de Junho, dando lugar a outra política institucional. Saber como será essa política é que são elas. Percebe-se uma forte desconfiança dos moradores das ações do governo e nos políticos. Comenta-se que em áreas já ocupada na Maré pela policia, esta na margem da Avenida Brasil que é um alivio para os moradores. “Já pensou eles aqui todos os dias em confronto com o poder paralelo”, confidenciou um morador que não quis se identificar.
    A propósito, a Rede Globo de Televisão da Maré esteve na Quartzolit n.260, afirmando que a Maré é muito perigosa. “É uma área muito complexa, com muitos grupos armados, com milícia em conflitos e confrontos. Então é uma área que realmente é um desafio para a segurança”, afirma o sociólogo da UERJ Ignácio Cano.
    Sem entrevistar nenhum morador, dando a versão oficial do exercito sintetiza a matéria: “Depois de subir seis andares, no topo do prédio é possível ter uma visão de 360º da Maré. E lá que se entende a importância desse lugar para o tráfico, e também porque a ocupação desse espaço pelo Exército é tão emblemática. Agora, quem observa todo o movimento da Maré é a Força de Pacificação. “Além da observação que é feita pela tropa que ocupa o terraço do prédio 24 horas, nós temos uma câmera que nos permite gravar imagens em tempo real e transmiti-las para nosso centro de operações e que nos permitiu inibir essa ação dos traficantes”, diz o tenente-coronel Castro.
    E concluiu, fecha a matéria dizendo: “O desafio é primeiro conter a violência e os tiroteios. E em segundo lugar, construir uma relação de respeito e confiança progressiva entre a comunidade e as forças de segurança”.
    O desafio da boa convivência com os moradores, sem o olhar da discriminação é que apostam os moradores. “A cultura esta na nossa mente e nos liberta” disse o DJ, do Charme na Zona de Guerra, “Sala de Estado, 260, TIMBAU, Complexo da Maré.

  • ATA DE REUNIÃO DOS MORADORES, PARCEIROS E CONVIDADOS DIA 06/06/15 . PRÉDIO DA QUARTOZOLIT – SITO: CAPITÃO CARLOS 260 TIMBAU – MARÉ- “CONDOMINIO DA PORTELINHA”

    As quinze horas e trinta minutos em segunda Convocação, reuniram os moradores, convidados e representantes do Exercito, no 4º andar do prédio para tratar de assuntos comuns da rotina do prédio. Com a Palavra o Professor Ricardo Mirapalheta, fez um breve histórico da luta dos moradores para manter a limpeza e a boa convivência entre os moradores. Falou da necessidade de pequenas obras de reparo na Caixa D’ água, rede elétrica e pintura do prédio. E que conta com a ajuda de todos em um mutirão a realizar-se em um fim de semana no sábado.

    Em seguida dada a Palavra ao Sr. Reinaldo Cunha, o mesmo falou da necessidade da união de todos para a melhoria da qualidade de vida. Em seguida o Sr. Ebinho um dos líderes do Grupo de Jiu-Jítsu disse que foi o primeiro a se instalar no prédio e que a galera do terceiro andar pratica esporte de luta, mas com responsabilidade. Questionou as abordagens que são feitas por alguns militares do exercito aos moradores, acreditando na convivência pacifica. Outros moradores também se manifestaram falando da boa convivência e necessidade de maior união dos moradores.

    Por último, os oficiais representantes do exército falaram que estudariam alguma forma de ajudar na infra-estrutura do prédio e que as queixas dos moradores estavam sendo analisadas para providências cabíveis, também ressaltaram que realizaram várias reuniões com líderes de associações locais, mas que a Portelinha é um caso a parte, e onde estão realizando operações de observação e vigilância do alto do prédio.

    Sr. Reinaldo Cunha salientou a matéria de um militar do Exercito declarando que a Maré deveria ficar em Estado de Sitio, o que foi discordado pelo Oficial presente dizendo que isto não corresponde aos princípios do Exército. As 16:h30 sem orador escrito, o Sr. Ricardo agradeceu a presença de todos e finalizou dizendo: “A união dos moradores é fundamental para melhora da qualidade de vida de todos e que seria importante haver novas reuniões. A Ata foi assinada por mim, presidente e pelo sr secretário e com outorga de todos. Rio, 06.06.2015.

    Reportagem e Fotografia: Reinaldo de Jesus Cunha

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