Gravidez na adolescência

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Vivenciando de forma precoce o inesperado

Texto por Thaís Cavalcante

Foto por Carina Ricardo

Quando o assunto é sobre favela, pesquisas mostram que os índices de gravidez na adolescência são consideravelmente altos em comparação com outros bairros: em média uma em cada cinco meninas tiveram filho, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Carina Ricardo de 16 anos, moradora do Morro do Timbau engravidou aos 15 anos e, não foi algo planejado. Ela contou como foi difícil passar por essa experiência precoce. “Quando eu soube, todos a minha volta ficaram loucos, mas meu namorado Renan só queria me proteger e desde que minha filha Ariela nasceu ele vem melhorando ainda mais. Agora que ele está com 18 anos, faz um curso remunerado no Senac e ajuda na renda de casa. Ele brinca com ela, me ajuda na hora de fazer almoço e de arrumar a casa também. “

Uma pesquisa da UNESCO mostra que, 32% das meninas começam sua vida sexual entre 10 e 14 anos e 22% tiveram gravidez precoce. Os índices de gestação em adolescentes na favela crescem dessa forma por falta de informação, de educação, de apoio familiar, de prevenção, de ação social e governamental. Mesmo sendo contraditório, a mãe de Carina trabalha com prevenção. E no início do relacionamento sexual do casal de jovens, ela até ofereceu preservativos a filha. Os professores também falavam sobre o assunto no colégio. A jovem tinha muitos planos, antes de receber a notícia de que sua vida ia tomar novos rumos. “Gostaria de terminar o curso de inglês, cursar a faculdade de letras e trabalhar futuramente”, disse Carina.

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Tentou uma licença com o governo para receber material didático em casa e fazer apenas provas no colégio, mas isso só é permitido para pessoas doentes. Ela pretende este ano voltar ao 2º ano do Ensino Médio para realizar seus planos. Para uma simples jovem de 15 anos, a gestação mudou sua rotina e a convivência com parentes. Também sofreu preconceito e buscou encarar de forma madura os acontecimentos.

Segundo a médica Carmita Abdo, Coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo e professora da Faculdade de Medicina da USP, engravidar na adolescência nem sempre é algo indesejado. O desejo de conquistar uma vida melhor, de ter atenção e afeto e de começar a estruturar uma vida autônoma, muitas vezes, levam as meninas a, inconscientemente, esperar que gerar um bebê resolva isso.

Atualmente, a nova mãe Carina faz teatro, mora com o marido e sua filha Ariela de 1 ano, na casa que ganhou da sogra. E afirma com convicção “Engravidar não é tão ruim. Mas se puder se dedicar aos estudos antes, ter uma vida mais regularizada, ter estrutura emocional, psicológica e financeira para ter uma criança é muito melhor para todos. Se pode, invista em você primeiro para depois trazer boas condições para seu filho!”, conclui.

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