Grupo de Passinho da Maré comemora dois anos de atividades

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Com cinco jovens entre 14 e 19 anos, grupo Rua C se apresenta pela primeira vez fora da cidade

Carolina Vaz

A dança do Passinho dominou o Rio de Janeiro. E não tinha como ser diferente, pois é um estilo de dança original das favelas da cidade, que começou por volta de 2001, e hoje todo mundo quer aprender a dançar. Prova disso é que muitos eventos culturais têm na programação oficina ou apresentação de passinho. Ficou muito conhecido pelo filme A Batalha do Passinho, de 2012 (trailer aqui). Mas, mesmo como uma dança original, ela mistura movimentos de outras, como o frevo e a dança contemporânea. No passinho, cada coreografia é única, e cada dançarina ou dançarino também.
A Maré não poderia ficar de fora: aqui também temos o nosso grupo de passinho. É o Rua C. O grupo começou quando Flora Mariah, dançarina de Dança Contemporânea, foi dar uma oficina de movimento na Lona, que durou três meses. Ao final desse tempo, nove dos participantes decidiram criar um grupo de passinho, usando o nome da rua onde ensaiam, na Lona Cultural (Rua C). Isso aconteceu há dois anos, e hoje o grupo tem cinco integrantes, fixos.

Ton, Ruane e Daison em apresentação em Petrópolis. Foto de Yhas La Porta
Ton, Ruane e Daison em apresentação em Petrópolis. Foto de Yhas La Porta

A arte da improvisação
Nenhum deles começou a oficina sabendo dançar passinho. Mas, segundo Flora, nos momentos de improvisação eles expressavam essa dança. Com a criação do grupo, a coordenação da Lona Cultural sugeriu que ensaiassem por lá. “A gente dança de natureza, ninguém nunca fez aula”, diz Ruan, de 17 anos. A Jéssica, de 17 também, já praticava lamba aeróbica. O Daison, de 16 anos, dançava samba e era o destaque das quadrilhas de festa junina, quando mais novo. O grupo ainda tem mais dois dançarinos por natureza: Negão, de 14 anos, e Ton, de 19. Todos eles moram na Maré, estudam, e alguns também trabalham. Flora, que ajudou a criar o grupo, é a coreógrafa e diretora. Ela ajuda os meninos e menina a trabalhar a consciência do corpo.

Profissionais, com ou sem verba
Até agora, nesses dois anos, já se apresentaram cerca de quinze vezes, em diversos espaços da cidade, como a Escola Municipal Clotilde Guimarães, Circo Voador, Museu da Maré, e na própria Lona Cultural, assim como em eventos como A Maré Funk e Travessias. Em fevereiro deste ano, fizeram a primeira apresentação fora do Rio: foram para Petrópolis, para o II Festival de Cultura Urbana de Petrópolis.
A maioria deseja ser dançarina profissional. Atualmente, ensaiam na biblioteca da Lona Cultural, cujo piso limita a dança, não é ideal. Por isso, tentam conseguir um novo espaço, com palco. Sem fonte de renda, apresentam-se geralmente sem cachê, mas Flora segue tentando acessar editais com verba. Para o figurino, decidiram pelo que todo mundo tinha no armário: preto e branco. Suas principais referências são o grupo Dream Team do Passinho, Batalha do Passinho, Shake, Gambá (o “rei do passinho”, para o grupo), Lelezinha, Pablinho e Hiltinho.

Jéssica, Ruan e Negão no II Festival de Cultura Urbana de Petrópolis. Foto de Yhas La Porta.
Jéssica, Ruan e Negão no II Festival de Cultura Urbana de Petrópolis. Foto de Yhas La Porta.

Jéssica é a única menina no grupo. Segundo ela, isso mostra que não é só homem que pode dançar passinho. Ela diz que tenta ser igual a eles na dança, mas admite que põe um charme feminino, gosta de jogar o cabelo de vez em quando. A turma costumava contar com outra menina, mas ela saiu por pressão da família, religiosa, que não aceitava a atividade. “Eles não vêm como profissionalismo”, diz Jéssica, sobre as pessoas preconceituosas com essa dança. Já com os membros da Rua C, é o contrário: a família apoia, e inclusive fica “em cima” para eles não abandonarem esse compromisso. Segundo Ton, o passinho ainda não é bem aceito como dança profissional, mas vem se destacando. Mesmo sem verba, o grupo continua ensaiando todas as semanas, e se apresentam quando são chamados.

Para saber mais, contate:
Flora Mariah – 98332 – 6062
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