Lembrar é resistir

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Ítala Isis e Jamie Duncan sobre o dia 06 de Setembro de 2014.

Foto: Jamie Duncan
Foto: Jamie Duncan

I

Chegamos na Maré por volta das 16h. Na sorte, pegamos o começo da excelente visita guiada de Mateus Frazão pelo Museu da Maré. Os tempos da Maré são os tempos de uma cidade nordestina, negra, que se fez naquele mangue e que, até hoje, resiste. Na festa, na dor, no trabalho, na fé, na brincadeira cotidiana. E vai resistir mais uma vez à ameaça de remoção que, depois de tantos anos de construção comunitária e do reconhecimento internacional pela preservação da memória mareense, o Museu da Maré está sofrendo.

II

Depois teve a “Marcha contra o Genocídio do Povo Negro, pobre e favelado”. Muitas mães carregando fotos dos seus filhos mortos ou presos. Uma luta, sobretudo, pela vida. Lutar para achar sentido na vida, para garantir a vida dos que ficam, para trazer seus filhos de volta, quando isso é possível. As ruas entre a Av. Guilherme Maxwell e a Vila do João ficaram pequenas.

III

Por fim, chegamos numa Praça na Vila do João. Lá costumava acontecer o Pagofunk, produção cultural local, mas parou. O pessoal reocupou o espaço com poesia, rap, funk, performance e sobretudo, alegria. Cerveja na esquina, criança brincando pelo meio da rua e gente de vários bairros da cidade, compondo uma polifonia colorida e generosa. Fazendo política na dança, no canto, no riso. Mas também na denúncia, no rememorar dos fatos, afirmando a cada momento: “não esqueceremos, não tem arrego”.

IV

Mas pelo meio da política de chão e de afetos, passa a polícia repressiva. Soldados do exército com armas enormes na mão, executando sua bizarra coreografia de guerra.

V

Favela é cidade. Mas os direitos no chão da Maré não são tratados como os direitos no chão de Copacabana, ou Ipanema. Tem muita gente, dentro e fora das Favelas, lutando para que isso mude. Mas quem mora lá enfrenta cotidianamente as consequências dessa luta. Havemos de respeitar. De manifestação em manifestação, o papel dos cartazes envelhece, mas as palavras continuam atuais: “Justiça”. Até quando?

 

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