Luta pela Paz qualifica e ajuda mareenses a encontrar emprego

Geral

Por Carolina Vaz

A ONG Luta pela Paz existe na Maré há quase 16 anos, e muita gente a conhece pelas atividades de esporte que oferece – boxe e artes marciais -, mas o que nem todo mundo sabe é que eles ajudam muita gente nas favelas a se qualificar profissionalmente e conseguir emprego. Com diferentes etapas e modos de atuação, muita gente se beneficia e entende mais do mundo do trabalho.

Cursos

A ONG oferece cursos de especialização para jovens, baseados numa pesquisa que fazem com os mesmos. Após a pesquisa, acabam por escolher os quatro mais votados. Algumas opções são auxiliar administrativo; operador de caixa; promotora de vendas; marketing pessoal; organização de eventos, etc.

Mas, antes da pesquisa, a equipe do LPP pesquisa quais são as áreas que mais estão retendo profissionais e consulta suas parcerias, para ter certeza do que pode oferecer. “Não adianta ter uma formação e não ter uma demanda dessa no mercado”, afirma a coordenadora Juliana Setubal. As são organizações que oferecem o material didático e produzem o conteúdo das formações.

Esses cursos de qualificação profissional são voltados para jovens entre 14 e 29 anos. Para adolescentes entre 14 e 18 anos, focam em oportunidades de jovem aprendiz ou estágio. E acima dos 18 anos, mercado de trabalho em geral. Cada pessoa pode fazer até quatro cursos. Além dos cursos de qualificação profissional, tem também uma formação mais geral, aberta a todos que participam das atividades da ONG, que dá explicações sobre mercado de trabalho como um todo. Inclui orientações sobre apresentação pessoal, elaboração de currículo, como se comportar numa entrevista.

Orientação vocacional

Todo mundo quer estagiar, quer trabalhar, mas como saber aliar o que se gosta e o que se sabe fazer? É por isso que a ONG tem um programa de orientação vocacional para os jovens decidirem se vão fazer ENEM, ou um curso técnico, etc. A orientação inclui teste vocacional, mapa de competências, inventário de interesses. Vale para quem está no Ensino Fundamental mas tem perspectiva para curso técnico, ou para quem está para concluir o médio.

Oportunidade para toda a família

O Luta pela Paz tenta atender a/o jovem e também sua família para o mercado de trabalho. Toda semana, as empresas parceiras do LPP enviam para a ONG as vagas que têm e o perfil de profissionais que precisam. A equipe, então, analisa o perfil dos jovens e das famílias para encaminhar os que se encaixem na vaga para o processo seletivo. Esse também é um serviço disponível para qualquer um que faça as atividades do Luta pela Paz, incluindo áreas de educação e esportes.

Esses jovens e suas famílias também podem acessar o Balcão de Empregabilidade, que é o atendimento direto a respeito de oportunidades. Na sede do LPP, na Nova Holanda, acontece o tempo todo; no polo da Marcílio Dias, a cada 15 dias; e na Baixa do Sapateiro, também a cada 15 dias. Serve para encaminhar os jovens para as oportunidades que as empresas enviam.

Feiras de empregabilidade

Além do encaminhamento para vagas,o LPP também faz, algumas vezes por ano, a feira de empregabilidade. É um dia em que as empresas parceiras vêm para a Maré, montam seus estandes, para mostrar as vagas que têm, receber currículos e ter suas fichas preenchidas por candidatos. As feiras de empregabilidade são abertas para todas e todos da Maré. Acontecem, aproximadamente, a cada dois meses.

Mas não adianta ir para a feira “com as mãos abanando”, porque vai perder tempo e oportunidade. É importante levar cópias de carteira de trabalho, currículo e identidade. Quanto mais cópias, com mais empresas pode deixar. Dependendo da vaga, no próprio estande a pessoa já sai encaminhada para o processo seletivo.

Eles têm, hoje, cerca de 40 empresas parceiras. Algumas delas são: SindRio (sindicato de bares, hotéis e restaurantes do Rio), Qualitá RH, Lojas Americanas, Isbet (voltado pra Jovem Aprendiz) e Inove Serviços (terceirização de mão de obra de limpeza).

Essa feira acontece há quase três anos, e o programa fixo de empregabilidade existe há sete.

Tirando algumas dúvidas

Juliana Setubal informa que as principais dúvidas dos jovens são sobre como acessar as vagas e se encaixar no perfil. E isso é importante, porque não adianta tentar se não for viável. “Eu tento explicar que é melhor não ir para aquela oportunidade, gastando dinheiro de passagem e tempo, porque na hora vai ter que entregar um documento que ele não vai ter. Eles precisam entender que não é viável enviar para uma vaga fora do seu perfil. E precisam entender que o encaminhamento que o LPP faz não é garantia de emprego. É o primeiro passo para tentar a vaga. Se ele está dentro do perfil, tem meio caminho andado para acessar aquela vaga, mas não está garantida para ele.”

A oferta e a procura

Segundo ela, os empregos mais procurados são os de área administrativa, e em horário integral de segunda a sexta-feira. No entanto, essas são as vagas mais raras. A maioria das oportunidades são para as áreas de comércio, serviços e área operacional de empresas, além de o trabalho incluir sábado, domingo e feriado.

Resultados

A equipe do Luta pela Paz não tem como mensurar o resultado das feiras, somente sabem quantas pessoas foram e quantas foram encaminhadas. E sempre no final do mês, Juliana confere numa lista quais jovens e familiares foram encaminhados a vagas, e confere junto às empresas quais foram às entrevistas e quais conseguiram as vagas. Já sobre os jovens que fazem cursos de qualificação, eles têm retorno, conversando pessoalmente. Assim, Juliana também sabe o comportamento da empresa com os candidatos.

Numa área que muda muito, a ONG tenta sempre se renovar. “Muita coisa mudou no programa. Eu entrei para montar o pilar de empregabilidade, porque estávamos começando outro pilar, o de educação. E a nossa metodologia entende que a educação e a empregabilidade andam juntas, porque o jovem busca voltar a formação escolar para pleitear uma nova oportunidade no mercado de trabalho, que é muito difícil e está restringindo quem não tem formação. Nos últimos sete anos, a cada ano fazíamos uma mudança no programa, vendo o que podia melhorar. Essa busca está relacionada a uma resposta do jovem que acessa o programa”, expõe a coordenadora.

 

Para ficar de olho nas ações da Luta Pela Paz, fique atento ao site e ao Facebook

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