O racismo de cada dia

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Foto por Guilherme Carvalho
Foto por Guilherme Carvalho

Por Gizele Martins

Como pode um país que se diz não racista colocar tanto ódio pra fora quando se refere ao termo favela? Negro? Funk? Cultura popular? Tá doente na pele tanto debate idiota que tenho ouvido nos últimos dias sobre o rolezinho. Era pra ser apenas uma diversão, uma brincadeira da molecada de São Paulo, mas tudo virou um grande debate, um grande enfrentamento. Claro que não podíamos deixar passar, é necessário deixar virar fato político, ato político contra o racismo esclarecido dessa sociedade hipócrita. É mais do que nossa obrigação colocar mais ainda esse debate pra fora. 

Tá na hora da favela ser ouvida por meio da sua própria voz. Pobre, negro e favelado passa por isso todos os dias quando tenta atravessar os muros visíveis e invisíveis da favela. É racismo na hora de procurar emprego, na hora de tentar estudar na universidade, na hora de tentar ser atendido nos hospitais, é racismo pra caralho e em todos os lugares. É sufocante pra cacete ter que se defender todos os dias. Não são vocês que têm que se defender da gente, a nossa única arma é a voz contra esse sistema racista que pra existir necessita matar pobre todo dia, necessita que exista a miséria, a dor, a fome, a diferença social. 

Por que a favela incomoda tanto? É de doer a alma, é de doer na pele! O rolezinho só tá trazendo a realidade que o favelado passa há anos. Afinal, matar pobre todo dia na favela é questão racial também. Domingo, dia 19 de janeiro, foi mais uma prova de que este país, de que esta tal cidade maravilhosa é racista sim. O shopping tava fechado, como pode? Isso era pra ter causado uma grande revolta. Mas pra virar revolta tem que tomar às ruas, às favelas, é necessário o trabalho de base, o folheto, a comunicação comunitária, o grito, o cartazes nas mãos, a música tocando, a cultura popular pelas ruas e sair um pouco da net porque a net é muito cara, a maioria pobre não tem. Mas quem quer estar com a base né? Quem quer ouvir e aprender com a base? Quem? Digam aê! Olha, se é pra incomodar, vamos incomodar com o grito da favela que com certeza vai ficar ainda melhor! 
Viva a luta e a identidade favelada! Viva a revolta que vem de dentro e o nosso grito ninguém compra!

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