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Mais de 30 famílias vivem em situação desumana na Maré e estão com medo de serem removidos

Texto e foto por Eliano Félix

Situada entre a Vila do Pinheiro e o Morro do Timbau, ao lado da ponte de acesso à Ilha do Fundão, existe uma pequena favela, chamada Mac Laren, nome esse dado devido a um antigo estaleiro que funcionava ali. Há mais de dez anos, mais de 30 famílias vivem nessa localidade numa realidade degradante e desumana. Para muitos, pode ser difícil imaginar que nos dias atuais ainda existam pessoas vivendo em barracos de madeira, ainda mais no Rio de Janeiro, cidade que recebe bilhões em investimentos para a Copa do Mundo e Olimpíadas, mas deixa a desejar nas obras de infraestrutura.

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Na Mac Laren, não existe fornecimento de energia elétrica, nem encanamento de água e esgoto. A única fonte de água para os moradores vem de um único cano. Essa água é utilizada para beber, tomar banho, lavar roupa e louça, mesmo assim, não é garantia de ser água potável. “Havia conseguido um emprego, já estava trabalhando há cinco meses, mas, após pegar uma bactéria intestinal, acredito que tenha sido por conta da água, acabei perdendo o emprego, e hoje estou desempregada”, contou Quívia Pamela, 24 anos, auxiliar de Serviços Gerais.

Quando cai uma chuva mais forte, o valão, localizado ao lado da favela enche, e invade os barracos. Quando anoitece, na hora de dormir, ninguém fica tranquilo, o local é infestado por  ratos, baratas e lacraias, e as crianças que vivem ali, são as mais afetadas, várias com diarréia e dor de barriga.

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À espera de uma solução

Segundo Róbson Borges de Moura, 39 anos, vigilante, morador mais antigo da Mac Laren e representante dos moradores, todos já fizeram cadastramento junto ao Centro de Referência da Assistência Social Nelson Mandela (CRAS), e a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS). Mas até agora nada foi feito por eles. Róbson nos contou como é viver na Mac Laren, “parece que estamos vivendo numa caverna, ninguém sabe que existimos”.

Osmar Paiva Camelo, presidente da Associação de moradores do Timbau, disse que o ideal seria reassentar os moradores no próprio local onde vivem, e que a Associação tem ajudado da melhor forma possível, fornecendo cesta básica e declaração de residência aos que precisam, como comprovante para emprego, por exemplo.

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Segundo Elisabete Figueiredo, assistente social que acompanha a situação dos moradores da Mac Laren, tudo  que cabe ao Cras Nelson Mandela tem sido feito. “No início de 2011, fizemos relatórios de todos os moradores, com a situação individual de cada um, na época, todos foram inscritos no programa de habitação Minha Casa, Minha Vida. Fizemos também o programa de proteção especial e proteção básica, onde realizamos a retirada de documentos pessoais, inclusão escolar e qualificação profissional, entre outros. Toda documentação em relação à moradia foi encaminhado à SMH.”

Moradores afirmam que têm medo de serem desalojados, nenhum deles têm um outro local para morar. A situação desses mais de 30 familiares são desumanas e cada um deles cobram há anos melhorias para o local, ou que pelo menos eles sejam realocados para um local próximo de onde eles já moram e com melhores condições de vida. Pois, é inaceitável que eles vivam ainda nestas condições

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*O jornal O Cidadão entrou em contato com a SMH, mas em resposta via e-mail disseram que, quem cuida do cadastro dos moradores é a SMDS (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social) . Entramos em contato com a SMDS, porém, até  o término dessa matéria, não obtivemos resposta.

Comentários

2 comments

  • Realmente as pessoas vivem ali em situação sub-humana. No ano de 2009 foi feito o primeiro cadastramento, de lá para cá foram feitos outros. Segundo o CRAS as fichas dos moradores estão na Secretaria de Habitação, porém já passou da hora de socorrer esses sobreviventes. Agora vamos partir para cima do Secretario Estadual de Ação Social e Direitos Humanos, que fará no dia 02/05/14, uma ação social na Praça do Dezoito, Baixa do Sapateiro. Não é possível que essa situação continue.

  • As a foreigner who is living in Rio at the moment, this story and the images are shocking. How can a country that hosts the World Cup and the Olympics let some of its people live in these conditions? It is so wrong.

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