Foto de capa: Kevin Mazur / Getty Images
Texto: Equipe Jornal O Cidadão
Com informações de Maddu Reis
Em novembro de 2022, enquanto acontecia a Copa do Mundo no Catar, o Dance Maré publicou um dos seus maiores sucessos nas redes sociais: o clipe coreografado do hit Waka Waka (This Time For Africa), da cantora Shakira. O vídeo, que usa as ruas da Maré como cenário e implementa batidas de funk em uma versão remix, foi ao ar no Fantástico e logo viralizou nas redes sociais, chegando ao conhecimento da cantora colombiana, que elogiou o trabalho dos artistas mareenses. E como já dizia Raul Seixas: sonho que se sonha junto é realidade. No dia 2 de maio deste ano, o Dance Maré subiu no palco de Copacabana ao lado de Shakira, para dançarem a música que fez história na Copa do Mundo de 2010, que colocou a Favela da Maré em alta em 2022 e que, sem dúvidas, emocionou os mareenses neste ano de 2026.

O sucesso do clipe de quatro anos atrás fez com que muitos, principalmente cariocas, já esperassem pela participação do grupo no show. Mesmo assim, houve uma vibração coletiva quando eles apareceram no palco. Foram 20 dançarinas e dançarinos na composição do Dance para a apresentação, que se juntaram aos dançarinos da equipe de Shakira, e executaram a coreografia perfeitamente. Estima-se que o público presente era de 2 milhões de pessoas.
Todo Mundo no Rio
O show de Shakira faz parte do que a prefeitura chama de “Todo Mundo no Rio”, uma série de megashows que se iniciou com Madonna, em 2024, e atingiu seu maior público com Lady Gaga, em 2025. Todos aconteceram na Praia de Copacabana, com acesso gratuito. A primeira participação especial no show de Shakira foi Anitta, com quem cantou a música Choka Choka, single das duas artistas. Depois, quem subiu ao palco foi Caetano Veloso, que fez duo com a cantora para a música Leãozinho, e em seguida Maria Bethânia. Elas cantaram “O que é, o que é”, de Gonzaguinha, e foram acompanhadas por ritmistas da escola de samba Unidos da Tijuca. A quarta participação foi de Ivete Sangalo, e as cantoras levantaram o público cantando País Tropical, de Jorge Ben Jor. Por último, já perto do fim do show, foi quando entrou o animado grupo do Dance Maré para a execução de Waka Waka. Uma música só, mas que foi exaustivamente ensaiada para ter execução impecável para um público que o grupo nunca tinha visto antes.

Ensaios intensos para um dia histórico
Maddu Reus (24), integrante do grupo, conta que o convite para o show em Copacabana chegou apenas uma semana antes, e com ele veio também uma rotina intensa de preparação. Ela explica: “Esse convite chegou sábado à noite pro Raphael Vicente, mas a gente só foi enviar pro pessoal mesmo os convites na segunda de manhã, porque o ensaio já iria começar na segunda-feira. (…) Foram 4 dias de ensaio intenso de 7 às 10 horas da noite e teve dias até que passavam do horário, então foi uma correria danada”.

Assim, Raphael Vicente, Yago Melo, Taylon Araujo, Maryana Oliveira, João Victor, Mariane Silva, Weslley Oliveira, Maddu Reis, Debora Lima e Paulo Roberto (Junin) foram convocados para os ensaios que aconteceram em diferentes pontos da cidade. Incluindo: o hotel Windsor, o Centro de Movimento Deborah Colker e o Copacabana Palace. Para formar a composição “original” do clipe de Waka Waka de 2022, foram chamados outros 10 participantes do vídeo. Ao todo, somando-se ao corpo de baile da Shakira, cerca de 40 pessoas participaram da apresentação no palco.

Além do tempo curto, os integrantes também tiveram que aprender uma coreografia totalmente nova, conduzida por profissionais de fora do país, o que trouxe um desafio a mais no processo.
“O momento mais emocionante pra mim foi ainda no ensaio, no sábado mesmo quando a gente subiu no palco e viu já uma multidão de gente… eu ficava assustado porque eu, que comecei no Hip Hop do Museu da Maré, eu nunca tinha me apresentado pra tanta gente assim… é assustador, dois milhões de pessoas te vendo, né? Então eu fiquei assim muito emocionado. E dá uma adrenalina e eu só queria dançar, sabe? (…) Eu só queria estar no palco o mais rápido possível porque eu queria dançar e por mim eu poderia dançar por três horas naquele palco!”
— Yago Melo, 24 anos
No dia da apresentação, o grupo participou da passagem de palco, da preparação de figurino e maquiagem, e acompanhou parte do show no espaço VIP, antes de entrar na reta final da programação, já perto do encerramento. No palco, a música que um dia foi reproduzida nas ruas da Maré ganhou proporções maiores que o próprio viral, desta vez em outro cenário, com outra dimensão de público.
“O momento em que eu pisei naquele palco e vi aquele mar de gente, eu fiquei sem acreditar que uma pessoa que veio da Maré poderia ter a oportunidade de dançar num ‘megapalco’, numa das praias mais famosas do mundo, com uma cantora que é a maior da América Latina, com as pessoas de onde moro ali, se apresentando. Foi uma oportunidade incrível e espero que seja a primeira de muitas”.
— Taylon Araújo, 25 anos
De maneira geral, a experiência transmitida pelo grupo valida o caminho construído desde os primeiros passos na dança até a chegada a um palco internacional.
“Subir no palco com a Shakira foi um marco gigantesco (…) principalmente pra gente que é um grupo periférico e precisou resistir dentro da dança. Foi mais do que uma conquista individual, foi uma vitória coletiva (…) a gente subiu sem abrir mão da nossa identidade, da nossa história”.
— Maddu Reis, 24 anos

Tem Maré na Copa do Mundo 2026
A parceria entre a cantora e o grupo de dança não acabou em Copacabana. Na tarde desta quinta-feira (7), Shakira anunciou a canção oficial da Copa do Mundo 2026 em parceria com o cantor e compositor nigeriano Burna Boy e a participação do Dance Maré na coreografia.
A canção “Dai Dai” teve seu clipe gravado no Maracanã (Estádio Jornalista Mário Filho) e estreará no dia 14 de maio. Conhecida mundialmente pelas músicas-tema das Copas de 2006, 2010 e 2014, a colombiana volta agora ao universo do futebol ao lado dos artistas mareenses.
Parabéns, Dance Maré!






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