Combinando criatividade, carisma e ambição, os empreendedores locais são os grandes responsáveis por movimentar a economia e gerar empregos dentro do Conjunto de Favelas da Maré. Através de seus trabalhos, eles mostram que as favelas cariocas não apenas consomem, como também produzem e exportam ideias, comportamentos e tendências que ultrapassam seus limites e alcançam todo o país. Nesta matéria, conheça a história de três empreendimentos que começaram pequenos e se tornaram referência para outros moradores que buscam autonomia e independência financeira, no ramo alimentício, da beleza e da estética.
FILHOS DO REI
Quando se pensa em empreender dentro da comunidade, o ramo alimentício sempre parece promissor. No entanto, com um cenário diferente do de anos atrás — onde pensões e lanchonetes disputavam pontos de venda — os empreendedores vêm apostando tudo na inovação e criatividade. Buscando não simplesmente vender determinada comida, mas oferecer um diferencial para seus clientes.
Foi com esse pensamento que o casal Luan Venceslau e Milena Nascimento, moradores do Parque Rubens Vaz, passaram da venda de salada de frutas na praia para a montagem de mesas de coffee break em grandes eventos. “Nós oferecemos serviço de coffee break, mesa posta, ilha gastronômica, e também trabalhamos com kits lanche, também individuais, que geralmente são para excursões, passeios, palestras. Temos vários modelos”, conta Milena, de 33 anos.

Criados na mesma rua da Rubens Vaz, Luan e Milena se conheceram na infância e começaram a namorar na adolescência. Hoje, o casal tem dois filhos: Enzo, de 13 anos e Heitor, de 7. Segundo o casal, a vontade de começar a empreender se tornou ainda maior quando perceberam o pouco tempo de qualidade que tinham para dedicar a família.
“O que eu mais me orgulho no momento da nossa vida é a gente poder ter mais tempo com a nossa família. Porque antigamente, eu lembro quando eu trabalhava em empresas, muitas das vezes eu saía de madrugada pra poder trabalhar e eu tinha que fazer hora extra, até porque o meu cargo era de responsabilidade e eu ficava até tarde no trabalho. Quando eu chegava, praticamente eu dormia. Eu não tinha um tempo acessível com o meu filho mais velho. E hoje, quando eles chegam da escola, eu posso conferir os deveres, eu posso ir numa praia com eles, levar pro Maracanã, ir pra um cinema”.
— Luan Venceslau, 34 anos.
Deixar a carteira assinada para começar o próprio negócio rendeu muitas melhorias para a família, no entanto, o começo não foi fácil. Tudo começou no verão de 2019, com Luan e mais dois sócios vendendo salada de frutas nas praias da Zona Sul. Porém, o resultado não foi dos melhores, fazendo com que eles desistissem da praia para vender somente dentro do território da Maré.
Com a chegada de Milena na equipe, além da salada de frutas, Luan e seus amigos passaram a vender também sucos e sanduiches naturais. “Começamos com uma nova metodologia de trabalho, vendendo presencial, passando nos salões, nos bares, nos lugares onde o pessoal se concentra. E aí, começamos a ter a nossa clientela”.

O primeiro baque veio com a chegada da pandemia, as vendas caíram e eles tiveram que se adaptar com o delivery. Tempos depois, os amigos de Luan deixaram o empreendimento para seguir com outros projetos. Porém, mesmo com tudo parecendo difícil, Luan e Milena continuaram sozinhos. O crescimento veio aos poucos.
Com a alta demanda, eles contrataram novos entregadores. Com o desejo de crescer ainda mais, eles também passaram a ofertar kits lanche e começaram a chamar a atenção de escolas, empresas e demais instituições. Essa foi a virada de chave para que, por volta de 2024, eles começassem a trabalhar com o preparo e montagem de mesas para coffee breaks.
Hoje, o Filhos do Rei é composto por uma equipe de 8 pessoas. Com o sucesso do empreendimento, Luan e Milena compraram uma loja e fazem dela depósito e cozinha, para armazenar as mercadorias e preparar as comidas que serão postas na mesa solicitada por seus clientes. “Nós ofertamos saladas de frutas, pães a metro, salgados, fritos, assados, empadinhas. Nós temos um cardápio bem grande, com bastante variedade”, conta Milena.

Com uma agenda lotada, no início de 2025 o casal optou por encerrar o delivery para focar exclusivamente no serviço de mesas e kits lanche para eventos de pequeno a grande porte, atendendo locais dentro e fora do Conjunto de Favelas da Maré. As tarefas são divididas entre a equipe, como conta Luan: “Eu trabalho mais na parte da administração, de responder os orçamentos, e na parte de logística também. Ela (Milena) me auxilia nessa parte, e nós temos duas pessoas que trabalham diretamente na cozinha, nós temos um motorista da nossa kombi, e temos três pessoas que fazem o processo de finalização dos produtos e a montagem da mesa”.
Mesmo após encontrarem seu nicho no ramo alimentício, o casal insistiu em pesquisas, ideias e planejamentos para trazer um diferencial no serviço oferecido. Além da delicadeza na finalização dos alimentos, como os mini sanduíches, eles se dedicam a entregar não apenas sabor, mas visual.
Fotos da galeria: Ana Cristina da Silva.
“Muitos clientes vêm e falam: ‘nossa, mas está linda essa mesa’, e chama muita atenção, porque não é só sabor, eu costumo falar que antes de você experimentar, você come pelos olhos (…) Nós iniciamos sem mesas. O local tinha que ter mesa, a gente só fornecia alimentação. Depois, nós compramos aquelas mesas dobráveis, forrava com pano preto, branco, e cada vez mais a gente foi mudando, buscando melhorias, até que chegamos nas mesas de madeira. Os utensílios também foram mudando, as suqueiras também são muito bonitas. E isso chama muita atenção, quando o cliente vem ele já pergunta: ‘mas vai ter essa mesa?’. Não é só pelo sabor, mas também pelo visual, que fica muito lindo, chama atenção, né?”
— Milena Nascimento.
Para saber mais sobre o empreendimento Filhos do Rei e solicitar orçamento, acesse o perfil do Instagram: @filhosdoreii.ofc
BARBA NEGRA
Assim como o ramo alimentício é um ótimo negócio nas comunidades, os salões e barbearias também. Isso fica claro quando se percebe que muitos estilos e cortes de cabelo, hoje famosos, foram criados dentro das favelas cariocas, como o Reflexo Alinhado e o Corte do Jaca. No Conjunto de Favelas da Maré, não é preciso andar muito para achar dezenas de barbearias. Afinal, as pessoas — principalmente o público masculino — com frequência desejam cortar o cabelo ou até mesmo mudar o visual. Mas é graças a essa quantidade considerável de barbearias que o nível de exigência do cliente vem subindo cada vez mais.
Foi a partir do entendimento de que a barbearia é uma experiência e não um simples local onde se corta cabelo, que o empreendedor Hadelson Gomes, morador do Salsa e Merengue, fundou o Barba Negra, 10 anos atrás, na Vila do Pinheiro. Hoje, ele comanda a barbearia ao lado de seu amigo e sócio, Vinicius Farias, de 32 anos.

Apesar de começarem de formas e em anos diferentes, nem Hadelson e nem Vinícius pensavam em se tornar barbeiros. Hadelson, quando era adolescente, jogava futebol e chegou até a fazer alguns trabalhos como modelo, mas em uma festa de 15 anos, arriscou ajeitar o cabelo de um de seus amigos com uma Gillette. Quando percebeu, estava fazendo outros acabamentos no cabelo dos amigos.
Pensando em ter dinheiro para conseguir sair com a namorada na época, em uma conversa com o seu barbeiro, Hadelson aceitou aprender mais sobre a profissão e assim, aos 15 anos começou a trabalhar em uma barbearia. “Eu fiquei 2 anos mais ou menos com ele. E com 17, eu abri a minha primeira barbearia”, conta o empreendedor, que hoje está com 29 anos.
“Trabalhei com esse rapaz que me ensinou muito. Até eu perceber que eu poderia caminhar com as minhas próprias pernas, né? Tive um auxílio dos meus pais muito grande. Eu falei pra eles que era isso que eu queria mesmo. Meu pai e minha mãe, na época, me abraçaram. ‘Pô, vamos comprar o maquinário pra você, então’. Eles investiram ali um certo dinheiro no maquinário que eu sabia que era bom. Comecei cortando em casa, até aparecer uma lojinha. Os clientes que cortavam comigo lá na barbearia do parceiro, mandava mensagem e iam lá na casa do meu pai”.
— Hadelson Gomes, barbeiro há 14 anos.
Mesmo com a certeza de que era aquilo que queria, Hadelson não quis começar em uma loja sozinho. Chamou o cunhado e o ensinou a cortar cabelo para trabalharem juntos. Em seu primeiro espaço, chamado de Barbearia do Hadelson, eles ficaram por aproximadamente 2 anos, até o mareense perceber que precisava trocar de ponto se quisesse crescer na profissão. “Era num local muito escondido. Falei, ‘pô, preciso de mais visibilidade. Vamos descer um pouco mais a rua que lá tem mais movimento’. Aí, na época, era muita dificuldade. As pessoas ficam te colocando dúvidas. Tentando te limitar. Tu tem que ter uma atitude, confiança de que vai dar certo”, conta Hadelson.

Em setembro de 2016, ele se mudou para uma nova loja. Dividindo 50% com o cunhado, o mareense resolveu mudar o nome da barbearia na ideia de criar uma marca, uma identidade. Inspirado no vilão de Peter Pan, nasceu então a barbearia Barba Negra. “A gente foi se acostumando, comentando com um cliente e outro, até ter confiança pra poder botar um banner na fachada. Foi assim que surgiu”.
Diferente dele, Vinícius Farias só se envolveu com a profissão na fase adulta. Já havia passado pelo quartel e trabalhado com construção civil quando começou a se questionar se conseguiria aprender a cortar cabelo.
“Eu conheci alguns barbeiros e comecei a cortar meu cabelo na barbearia desses caras. Eu via um corte na internet, levava para os caras e falava ‘ó, eu quero o meu cabelo assim’. E os caras falavam, ‘cara, para ficar mais ou menos igual esse corte, precisa passar a zero do lado’. Eu falei, ‘não, zero não, passa a um e se vira’. E ele falou, ‘pô cara, tu é chato. Por que tu não vira barbeiro? Tu vai ver que é mais complicado do que parece ser’, e eu fiquei com isso na cabeça”.
— Vinícius Farias, barbeiro há 9 anos.
Na época, Vinícius estava trabalhando em uma empresa que tinha sido responsável pelas obras das Olimpíadas de 2016. Em 2017, quando a empresa encerrou os serviços, o mareense pegou o dinheiro da rescisão e investiu em itens para barbearia. “Comprei meus maquinários, procurei cursos. Foi aí que eu me decepcionei muito. Na época não tinha ninguém que realmente entregava o que eu queria aprender. Fui fazendo, cortando cabelo de um, de outro e tal. E a internet na época me ajudou muito. Porém, os barbeiros eram tudo de fora, São Paulo, fora do Brasil. Foi quando eu reencontrei o Hadelson, já com um ano, dois anos de barbeiro”.
Anos antes, Hadelson havia sido o barbeiro de Vinícius na Maré. Quando os dois se reencontraram, compartilhando a mesma profissão, Vinícius mostrou tudo o que tinha aprendido, como tipos de corte e pigmentação. Um tempo depois, ele passou a trabalhar no Barba Negra. Em determinado momento, o cunhado de Hadelson deixou a barbearia e o empreendimento passou a ser comandado somente por ele e Vinícius. “Nos aprimoramos muito, fizemos muitos cursos. Conhecemos várias celebridades do mundo da barbearia, digamos assim. E hoje a gente está aqui, como referência aqui da localidade”, declara Vinícius.

Atualmente, localizada na Rua A1, na Vila do Pinheiro, a barbearia Barba Negra carrega uma forte identidade visual. Como parte da experiência, os mareenses oferecem um ambiente aconchegante, com água, café e televisão disponível para seus clientes. Os atendimentos são feitos mediante a agendamento por aplicativo, garantindo que ninguém precise esperar para ser atendido. “O cara chega aqui, escuta a música, bebe o que ele quiser beber, no conforto da barbearia, no horário dele, corta o cabelo e vai embora satisfeito”, explica Vinícius.
Hoje, o Barba Negra oferece não só cortes de barba e cabelo, como também pigmentação, preenchimento de barba e venda de produtos. Segundo Vinícius, tudo é muito bem planejado dentro da barbearia: “Eu e o Hadelson estamos sempre mudando de corte, para poder inspirar esses clientes que vêm, que talvez se acham parecidos com a gente e falam, ‘ah, o corte do Vinicius vai ficar legal em mim, o corte do Hadelson vai ficar legal em mim’, então, isso também é uma função importante da gente, a gente está sempre mudando para poder inspirar esses clientes novos”.

Há pouco tempo, a dupla também começou a oferecer cursos de barbeiro para iniciantes. As aulas são práticas e acontecem presencialmente no Barba Negra, sempre aos domingos. Indo para sua terceira edição, os mareenses já formaram 12 alunos, onde 4 deles já estão trabalhando na área. “A gente ensina em modelos reais. Totalmente prático, sem nenhum tipo de teoria, porque a gente acredita que barbearia é isso. É sensibilidade”, conta Hadelson.
Para conhecer mais sobre o Barba Negra visite o perfil no Instagram: @barba_negraoficial
NANDO TATTOO
Berço de muitos artistas, é quase impossível falar do Conjunto de Favelas da Maré sem citar a arte. Entre atores, dançarinos, grafiteiros, músicos e fotógrafos, também estão os estúdios de tatuagem, empreendimentos onde profissionais transformam sentimentos, histórias e memórias em traços e desenhos permanentes na pele.
A poucos metros da Barbearia Barba Negra, o Nando Tattoo compartilha uma característica com outro empreendimento retratado nesta reportagem. Assim como o Filhos do Rei, o estúdio de tatuagem é conduzido por um casal. Fundado por Fernando Souza, o negócio ganhou novas possibilidades com a entrada da esposa, Natália Braz, que há 2 anos vem atuando como tatuadora ao seu lado.

Antes de se encontrar na arte, Fernando já havia passado por diferentes trabalhos, em quiosques, obras e até transportando caminhões. No entanto, nunca se identificou com nenhuma dessas atividades. Fã de mangás e animes, como Dragon Ball, desde criança ele sempre gostou de desenhar, por isso, não foi muito difícil pensar na possibilidade de se tornar tatuador. “Comecei ganhando nada, rabiscando os outros de graça para poder aprender, ter experiência. E hoje em dia eu tenho frutos. Pô, só agradeço a arte”, diz o morador da Vila do Pinheiro, de 41 anos.
O processo para se tornar o tatuador que é hoje começou em 2009, quando um de seus amigos o levou até Roger, um tatuador do Morro do Timbau. “Eu comecei da melhor forma possível, trabalhando com um cara que é um tatuador relíquia, das antigas. Comecei a estrutura da tatuagem, desenhar, montar material. Na época não vendia essas agulhas descartáveis, a gente fazia nossas agulhas. Pô, era muito maneiro”, relembra o mareense.
Após passar um tempo trabalhando e aprendendo com Roger, participando de eventos e campeonatos de tattoos, Fernando finalmente foi à procura de sua primeira loja, começando em um espaço na Vila do João. “Ele mesmo fez questão de vir comigo aqui. Meu primeiro estúdio, ele alugou comigo lá na rua da paróquia. Ele ficou um ano comigo e falou assim: ‘Qual é Nando, tu não precisa mais trabalhar pra ninguém não, irmão’. Pra você ver, olha a mente do cara. Aí ele me deixou lá e continuou no morro”, conta Fernando.

Em 2012, um amigo o informou sobre um espaço vazio na Vila do Pinheiro, em frente ao CIEP Ministro Gustavo Capanema. Juntos, eles alugaram a loja e a dividiram em duas, uma parte ficou como gráfica e outra como estúdio de tatuagem. “Ficamos um bom tempo. Depois ele viajou, pegou outro emprego, e deixou a vaga aqui na frente, aí eu peguei tudo. Fui reformando tudo aos poucos, trocando piso, botando. E é assim que tá indo”. O tatuador permanece no mesmo ponto até então.
É no ano de 2021 que Fernando inicia um relacionamento com Natália Braz. Enquanto Fernando sempre gostou de desenhar, Natália sequer tinha cogitado trabalhar com arte. Já havia trabalhado com comércio, em creches e até tinha começado a fazer faculdade, pensando em um dia se tornar professora. Quando conheceu Fernando, passou a ajudar no estúdio na parte de atendimento e organização do espaço, mas em uma brincadeira entre os dois, acabou despertando interesse pela arte de tatuar. “Aconteceu de eu tatuar ele brincando. No dia a gente tava numa resenha nossa. Aí ele viu que eu tinha jeito, né? E aí aconteceu”, explica Natália.
Fernando ensinou Natália da mesma forma que Roger o ensinou e por dois anos ela ficou tatuando apenas nas peles artificiais, trabalhando formas, o controle da máquina e a firmeza da mão. “Foi assustador, porque no começo não sai bom (…) saía tudo torto. Aí eu falava: ‘Eu não nasci pra isso’, mas ele (Fernando) não me deixou desistir. As pessoas acham que é fácil, mas não é. Se é isso que você quer, você tem que focar. E é um passo de cada vez”.

Atualmente, faz dois anos desde que Natália começou a tatuar no estúdio, optando por atender o público feminino ao se aperfeiçoar em traços mais delicados, como os do estilo chamado fine line. Ela destaca até mesmo a tatuagem mais marcante da sua carreira profissional até então:
“Uma tatuagem que me marcou muito foi uma que eu fiz numa senhora de 70 e poucos anos e ela se emocionou, porque ela falou que teve que esperar o pai dela falecer pra ela poder fazer uma tatuagem, porque ele não aceitava. Então foi uma coisa muito marcante e ela ficou emocionada, porque ela amou. Depois ela voltou e fez outras, e é minha cliente até hoje”.
— Natália Braz, de 33 anos.
Enquanto isso, apesar de ter estudado de tudo um pouco, Fernando se destaca no realismo, no colorido e em fechamentos corporais, incluindo cobertura de cicatrizes. Para eles, é muito importante continuar os estudos, por isso, sempre que podem participam de workshops. “Toda profissão tem que estudar. As técnicas evoluem, o material evolui, a tinta. Então, a gente tem que estar junto. Se a pessoa ficar com a mente presa, aí vai ficar obsoleto”, diz Fernando.

Além de todo o cuidado com a higienização de um cliente para o outro, o casal se destaca no atendimento. Fazendo uso do carisma, eles tranquilizam clientes que ficam nervosos através de uma boa conversa e muita transparência. “Nós trabalhamos muito com o psicológico da pessoa, nós vamos conversando. Tudo é psicológico, tu tem que conversar com a pessoa, e aí a pessoa vai perdendo o medo”, conta Fernando.
“Tatuagem é arte, autoestima, moda. É se sentir bem, é liberdade, expressão, é amor. Quando você tá amando uma pessoa, você quer fazer uma parada pra homenagear, quando a pessoa tem saudade, quando a pessoa vai embora, você faz uma tatuagem pra você celebrar a saudade que tem (…) Hoje a tatuagem é cultura, né, cara? Tatuagem hoje em dia é arte e cultura. Jogador de futebol tem, juiz tem, médico tem, polícia tem, pastor tem”.
— Fernando Souza.
Conheça mais sobre o trabalho de Fernando e Natália visitando o perfil do Instagram: @nandotattooing.
EMPREENDER NA MARÉ
Apesar de ramos diferentes, os três empreendimentos compartilham trajetórias parecidas. Para nenhum destes profissionais o empreendimento era um sonho desde o início, mas sim uma oportunidade que, mesmo com medo, eles agarraram e persistiram. Seja da salada de frutas vendidas na praia ao sucesso do serviço de coffee break. Do acabamento feito sem nenhuma pretensão no cabelo de um amigo à uma barbearia que oferece formação para iniciantes. Dos desenhos de animes na infância até o próprio estúdio de tatuagem. Na Maré, essas histórias mostram que grandes conquistas começam com pequenos passos e que empreender também é um ato de coletividade, onde todos erram e aprendem juntos durante o processo.
Confira a reportagem:
“Eu acho que dentro desse caminho ao qual nós percorremos, teve todo um desdobramento e nós fomos nos ajustando às necessidades. As portas que abriram pra gente, as oportunidades, nós agarramos. A gente entende que as oportunidades não podem passar, e foi isso que fez a gente crescer”.
— Luan Venceslau, Filhos do Rei.
“Hoje eu me considero um artista nesse mundo da barbearia. Assim como a minha referência, que é o Max dos Santos. Foi muito importante a gente ter derrubado esses muros que estavam em volta da gente. A gente é importante nessa parte de influenciar os jovens. Muitas crianças que vêm chamam a gente na rua de barba, de pirata. E a gente vê que tudo que a gente está fazendo, produzindo, criando, está sendo algo bom, está refletindo nesses jovens, nessas crianças”.
— Vinícius Farias, Barba Negra.
“Quero deixar um recado para todo mundo que tem uma profissão, que quer ser um profissional, que tem um sonho, para essas pessoas não desistirem, porque é difícil, mas Deus abençoa todo mundo, eu tenho certeza”.
— Fernando Souza, Nando Tattoo.





Deixe uma resposta