Roda de leitura acontece no Museu da Maré: debate das obras de Carolina Maria de Jesus

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Foto por Adrielly Ribas

Foto por Adrielly Ribas

Por Miriane da Costa Peregrino, Museu da Maré

RODA DE LEITURA NO MUSEU DA MARÉ

A figura da mulher, pobre, negra, favelada, catadora de papel que virou escritora não saia da minha cabeça desde as aulas do mestrado em Literatura Brasileira na UERJ e quando comecei a trabalhar no Museu da Maré encontrei a oportunidade de dialogar passado e presente da história da formação das favelas através dos livros dessa escritora, a Carolina Maria de Jesus. A figura histórica da favela da Maré, Dona Orosina Vieira, também nascida no interior de Minas Gerais, me fez encontrar os primeiros pontos em comuns entre Carolina e muitas das mulheres pobres e faveladas do Rio de Janeiro. Foi assim que nasceu a roda de leitura que ocorre no Museu da Maré desde 2013 e contribui para formação pedagógica dos bolsistas do Museu – adolescentes entre 16 e 18 anos, moradores de diversas comunidades do Complexo da Maré. Em roda lemos Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1960), Casa de Alvenaria: diário de uma ex-favelada (1961) e estamos finalizando Diário de Bitita (1982). O ato de ler, como já apontou Paulo Freire, é transformador. E ler Carolina é ler poesia em forma de prosa, é ler história e sociologia em literatura, é conhecer a realidade brasileira e entender como se forma a nossa identidade no meio de tantas desigualdades e injustiças sociais.

 DEPOIMENTOS: Impressões de Leituras 

ALAN DA SILVA LIRA, Vila dos Pinheiros, 18 anos

Carolina vivia dia por dia, está sempre fazendo algo para ganhar um trocado, pra sustentar seus filhos. A fome é muito presente na vida dela, cada alimento é como se fosse uma coisa rara, como se fosse ouro. (20/08/2013)

 ALINE DE MOURA E SILVA, São Bento, 17 anos

Imagino o sofrimento de carolina, andando descalça na lama, catando papel nas ruas, lutando para ter o que comer, lutando para viver. A favela é como um campo de batalha, onde ela tem que enfrentar a fome, as constantes brigas e desavenças entre os vizinhos, as doenças e a pobreza que resulta de uma guerra. (03/09/13)

 ALINE PEREIRA MACÁRIO, Nova Holanda, 18 anos

De tudo que lemos hoje o que mais me chamou a atenção foi o modo que Carolina se permite a pensar, ela não fecha os olhos em momento algum mesmo com tantas dificuldades ela segue em frente lutando para que seus filhos tenham ao menos o que comer! Diferente dos outros moradores da favela, Carolina não se fechando no mundinho da favela. Ela vai além com seus pensamentos e com seu modo de enxergar o cruel mundo de pobres e ricos!  (27/08/2013)

 FABRICIA PORTO NOGUEIRA, Vila dos Pinheiros, 16 anos

Uma coisa que me impressiona é que a Carolina não desistia de seus sonhos de ter uma casa de ter os alimentos para comer. Ela não tinha medo de falar o que pensa. Ela se metia nas brigas sem medo de nada. Uma coisa que no livro me emociona demais é quando a filha dela pede comida e não tem. Então a história dela é muito emocionante e eu gostei muito. (28/08/2013)

 JAILTON FERREIRA DO NASCIMENTO, Morro do Timbau, 17 anos

Suas vizinhas tinham uma certa inveja dela dela, pois era mulher independente, e mesmo trabalhando como catadora de lixo, fazia de tudo para dar o melhor para os seus filhos. … Ela sempre se mostra uma pessoa que gosta muito de ler e escrever. Há também nesta época o racismo, pois quando Carolina a parava para ler, as pessoas comentavam: “uma preta lendo?”, “uma preta fedida lendo?”. Como se só os brancos pudessem ler. (03/08/2013)

 JEFERSON LUCIANO GASPAR MESQUITA, Vila dos Pinheiros, 17 anos

Eu gostei muito deste livro, nele vi a dificuldade que Carolina Maria de Jesus passou, e não só ela, mas todas as pessoas que moravam naquela favela, graças a esse diário que ela fez, vi que histórias assim, fazem parte da minha vida, mesmo hoje em dia, existem muitas pessoas que passam por dificuldades semelhantes aos de Carolina, mas fico feliz por ela ter lutado muito na vida para tentar mudar o destino dos seus filhos e ter realizado o sonho de ter o livro publicado. (01/10/2013)

 JOYCE RODRIGUES DE OLIVEIRA, Nova Holanda, 17 anos

Apesar do seu pouco estudo, Carolina Maria de Jesus decidiu rompe as barreiras do analfabetismo escrevendo o dia a dia de sua vida sofrida. Gostei muito e estou ansiosa para ler o livro “Casa de Alvenaria” que é a continuação do livro “Quarto de Despejo” que é diário de uma favelada, e o livro “Casa de Alvenaria” é o diário de uma ex-favelada. (01/10/2013)

 MARIA EMILIA VIEIRA DA CRUZ, Vila dos Pinheiros, 17 anos

Para mim, é uma mulher batalhadora, bem decidida e de opinião formada. Que em alguns momentos pensa em desistir da vida, mas como já disse, pensa em seus filhos e esquece a ideia. Em alguns momentos vê sua vida melhorar e em segundos, já não existe mais. Persevera sempre e não desiste de ter uma vida melhor. (01/10/2013)

 MATHEUS FRAZÃO DE ALMEIDA SILVA, Vila do João, 17 anos

Carolina se entusiasma muito ao falar de datas comemorativas, como o dia das mães, e também no dia da Abolição. As chuvas ultimamente tem atrapalhado Maria de Jesus a catar papel, e ainda no dia 13 de maio ela termina de escrever parte do seu diário da seguinte forma: “E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome!”. (10/08/2013)

 RAÍZA BARROS NASCIMENTO, Baixa do Sapateiro, 17 anos

achei muito interessante a forma que foi escrita o livro. Ela faz relatos dos dias dela, e isso prende muito a atenção. Fico imaginando cenas das histórias narradas, sem falar dos nomes das pessoas que na maioria das vezes ela fala completos. E o ponto de vista dela sobre coisas e pessoas também é importante, a forma de como ela vê as coisas, é completamente diferente da maioria das mulheres daquele época. (13/08/2013)

 WAGNER BELO DE SIQUEIRA, Vila dos Pinheiros, 17 anos

Bom, o mês de junho foi um mês difícil para Carolina porque foi um mês que ela passou muita fome e ela não podia desistir da vida porque tinha que criar os filhos. E também o mês de junho foi o mês que muita gente precisou de água e na favela havia uma torneira para todos, mas a água não ia dar, foi aí que os favelados foram pedir água por aí, não tiveram sucesso,  (03/09/2013)

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